Acumulação compulsiva vai muito além de 'bagunça' e exige tratamento contínuo, explica psiquiatra
01/06/2026
(Foto: Reprodução) A história incrível de uma senhora que vivia numa casa tomada pelo lixo: Anita Antônia.
O caso de uma idosa que vivia cercada por toneladas de resíduos em casa, na Grande São Paulo, expõe uma condição de saúde mental ainda cercada de preconceitos: a acumulação compulsiva. Para especialistas, o problema não está ligado à falta de higiene ou descuido, mas a um transtorno que pode trazer sofrimento, riscos e isolamento social.
Além da dificuldade prática, o quadro costuma vir acompanhado de outros problemas emocionais. O sofrimento, o risco à segurança ou isolamento são parte do quadro, geralmente acompanhado de depressão e ansiedade.
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Apego emocional dificulta descarte
O psiquiatra e pesquisador da USP Daniel Costa explica que há um apego aos objetos. As pessoas sentem que podem precisar deles um dia.
"Alguns objetos adquirem um valor sentimental para a pessoa. Então, portanto, se desfazer daquilo é muito sofrido. É o equivalente ali a se desfazer de algo que tem um valor material muito importante, por exemplo".
Quando o acúmulo vira risco
No caso retratado, a casa chegou a um nível crítico, com infestação de insetos e roedores e risco à estrutura do imóvel, afetando não só a moradora, mas também vizinhos.
Situações como essa são comuns em quadros avançados de acumulação compulsiva, segundo especialistas. O ambiente deixa de ser habitável e passa a oferecer perigo à saúde e à segurança.
“O acúmulo de coisas deve gerar uma impossibilidade de utilizar um determinado cômodo da casa, por exemplo, e também precisa haver prejuízo na vida da pessoa”, explica Daniel Costa, pesquisador do Instituto de Psiquiatria do HC/USP.
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Fantástico/ Reprodução
Tratamento é contínuo e não tem solução rápida
Outro ponto importante destacado pelos especialistas é que não existe uma “cura rápida” para a acumulação compulsiva. O tratamento exige acompanhamento constante.
“Não existe remédio para lidar só com a acumulação compulsiva. É um problema crônico, que tende à recorrência, então a pessoa precisa estar constantemente em acompanhamento com profissionais de saúde”, afirma o psiquiatra.
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'Depressão não é frescura'
Guilherme, influenciador digital conhecido por realizar faxinas gratuitas em casas de acumuladores compulsivos, foi peça-chave na transformação do imóvel. Ao compartilhar histórias como a de Anita nas redes sociais, ele chama atenção para uma realidade muitas vezes invisível e ajuda a conectar pessoas em situação de vulnerabilidade a apoio prático e institucional.
"Porque as pessoas têm esse pré-julgamento, são pessoas porcas, são pessoas desleixadas, como é que uma pessoa vive nesse estado? E eu falo para essas pessoas, a depressão, ela não é frescura", afirma.
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